Estrada Real de Bike: o relato de Vitoca

Quem acompanha o Blog do Puga desde as antigas conhece a peça: Victor Puga, o Puga Pai, apelidado carinhosamente como Vitoca, inspirador de muitas de nossas aventuras e sempre presente nos relatos.



Neste último domingo conversávamos em família após o almoço no sítio sobre roteiros de mountain bike quando me ocorreu que estavam completando 10 anos das épicas trips de Vitoca pelos caminhos de longo curso da Estrada Real, que totalizaram mais de 1.100 km em duas viagens.

Instituto Estrada Real
As duas expedições aconteceram nos anos de 2006 e 2008, primeiramente realizando o trecho entre Diamantina e Ouro Preto (MG), o chamado Caminho dos Diamantes, e na segunda viagem percorrendo o Caminho Velho, de Ouro Preto a Paraty (RJ). Na época entre meus 13 e 15 anos não foi possível acompanhá-lo nem por cogitação, mas Vitoca estava em boa companhia com dois grandes amigos já matutos pra encarar uma expedição do nível da Estrada Real.

Eu já conhecia muitos detalhes sobre as viagens, primeiro pela tradição deste roteiro a nível internacional, e segundo pelas tantas histórias com fotos e vídeos que ele pode me passar ao longo desses anos. Mas ao perceber que as expedições já eram fatos da década passada, algo dentro de mim começou a falar mais alto: provavelmente meus 20 e poucos anos.

Me dei conta da possibilidade de finalmente viver essas incríveis experiências pelas rotas históricas do ouro e dos diamantes, e se possível na companhia do coroa: uma vivência entre pai e filho que vem ganhando força por outro detalhe: ainda resta o desafio do Caminho Novo do Ouro para Vitoca, desde Ouro Preto ao Porto Estrela, na cidade do Rio de Janeiro.

Então antes de falarmos sobre o breve relato de Vitoca, vamos a um panorama dos roteiros da ER:


A Estrada Real
É a maior rota turística do Brasil, com 1.630 km de extensão, compreendendo os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Surgiu em meados do século XVII por meio da oficialização, via Coroa Portuguesa, dos caminhos para o escoamento de metais preciosos desde Minas Gerais até os portos do Rio de Janeiro. Hoje gerida pelo Instituto Estrada Real como projeto turístico de valorização do patrimônio histórico e cultural, a ER compreende em suma quatro caminhos:

Caminho Velho: primeira via aberta, liga o município de Ouro Preto (MG) e a região produtora do ouro à Paraty (RJ), no litoral sul fluminense. São 710 km de extensão (82,5 % estrada de terra, 11,5% asfalto e 6% trilha).

Caminho dos Diamantes: também do século XVII, liga o município de Diamantina (MG), onde foram encontrados grandes volumes de diamantes, à Ouro Preto, por onde as pedras eram escoadas até os portos do Rio. São 395 km de extensão (73,5% estrada de terra, 26% asfalto e 0,5% trilha).

Caminho Novo: alternativa mais fácil e rápida que o Caminho Velho, o caminho liga Ouro Preto ao Porto Estrela, no Rio de Janeiro. Possui 515 km de extensão (63% estrada de terra, 32% asfalto e 5% trilha).

Caminho do Sabaraçu: caminho alternativo para explorações na Serra da Piedade (MG), aberto quando viajantes acreditaram na existência de ouro que na verdade era minério de ferro, compreendendo um circuito entre as cidades de Glaura a Cocais. Ao todo, são 160 km de extensão (77,5% estrada de terra e 22,5% trilha).


O relato de Vitoca
Trecho final do Caminho Velho, de Ouro Preto a Paraty, 2008

As estradas atravessavam diversas unidades de conservação e paisagens de atratividade singular, podendo destacar:

Parques estaduais: PE Itacolomi e PE Serra do Intendente.
Parques nacionais: PN Sempre Vivas, PN Serra do Gandarela, PN Itatiaia, PN Serra da Bocaina e PN Serra dos Órgãos.

Duração: o Caminho dos Diamantes foi realizado em 6 dias, enquanto o Caminho Velho foi completado em 9. Os bikeros estruturaram os roteiros baseados numa média de 80 km pedalados por dia.

Dificuldade: apesar de o Caminho Velho ser mais distante, os viajantes consideraram o Caminho dos Diamantes um desafio mais duro e exigente, considerando inclusive as condições de infraestrutura. Os sentidos aconselhados para as viagens foram de Diamantina a Ouro Preto (Diamantes), de Ouro Preto à Paraty (Velho), de Ouro Preto ao Rio de Janeiro (Novo), e de Glaura a Cocais (Sabaraçu), considerando a logística e a altimetria dos quatro roteiros.

Igreja de Matosinhos e os 12 Profetas de Aleijadinho
Atratividade: as estradas representam verdadeiros mosaicos culturais, preservando as heranças da exploração de metais e de expedições históricas como dos Bandeirantes em suas incursões pelo interior do Brasil. Apresentam os contrastes entre cidades desenvolvidas e o verdadeiro interior do Brasil, vivenciando ricas experiências por grandes represas, fontes termais, arquitetura colonial, artesanato de ponta e artes plásticas, experimentando da alta gastronomia e hotelaria até as localidades que não superam os 5 mil habitantes e contam com seus moradores para abrigar os peregrinos em suas casas e tantas outras situações acolhedoras.

Momento inesquecível: atravessando a Serra do Espinhaço, a cordilheira brasileira por onde se desenvolveu a maior parte das explorações, após vencer uma longa e forte subida se deparou com o horizonte tomado por uma única formação rochosa: o Pico do Itambé, também conhecido como o "Teto do Sertão Mineiro", dominando uma vista de mais de 100 quilômetros de extensão por quem desbrava os horizontes da Serra do Espinhaço.

Separei abaixo um vídeo que achei bem legal e que retrata as transposições de serras pela Estrada Real. Dê o play e siga as descobertas de vitoca também em audio e vídeo.

video


Trechos de destaque: Capela do Saco a Carrancas (Caminho Velho) e Catas Altas (Diamantes). Os caminhos diariamente apresentavam descobertas locais, como fazendas históricas, comunidades, igrejas e cemitérios isolados, passando também por cidades referências como Tiradentes, São João del Rei, São Lourenço e Passa Quatro.

Informações: os roteiros estão estruturados pelo Instituto Estrada Real e disponíveis no site, podendo ser realizados de carro, moto, bike, caminhando ou à cavalo. Os caminhos são sinalizados de 2 em 2 km pelos famosos totens da ER, que proporcionam um sentimento lúdico aos desafios com o sistema de passaportes da rota, podendo carimbá-lo após as passagens pelos trechos determinados.

Então fica a intenção: repetir as viagens de Vitoca pelos caminhos Velho e dos Diamantes, e também realizar o desafio inédito para o coroa pedalando de Ouro Preto ao Rio de Janeiro pelo Caminho Novo. As preparações já começaram e, pelo visto, inspiração por aqui é o que não falta!

Espero que tenha gostado desta partilha de experiências, é só o começo! Continue acompanhando e claro, se aventurando! A gente se fala pelos comentários abaixo =)


Um grande abraço do Puga

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