Descobri as aldeias da Galícia de onde vêm os Pugas

Você já viajou no tempo até encontrar as origens dos seus sobrenomes? Acabei de fazer e descobri La Torre de Puga, no Rio Miño, Espanha



Após tantos anos respondendo as pessoas sobre o meu último sobrenome e lidando com perguntas clássicas dos BRzuera como "é Pulga ou Carrapato?", eu resolvi ir mais a fundo nessa história.

O que eu sabia até então era que:
- A família Puga vinha da região da Galícia, noroeste da Península Ibérica;
- A linha genealógica da minha família vem de Viana do Castelo, norte de Portugal;
- O cantor Julio Iglesias também é Puga e é o primo rico da família 😂😂

Por muito tempo essas respostas bastaram para mim, até que recentemente encontrei o sobrenome Puga nesta notícia:


A lista apresenta 5.200 sobrenomes de origem sefardita que estariam aptos a solicitar a nacionalidade espanhola a partir de uma lei que tem como objetivo outorgar uma reparação histórica aos judeus expulsos da Espanha em 1492. Apesar de que a lei permanece em vigor, o El País confirmou que a lista era falsa e havia viralizado pelas redes sociais, mas de alguma forma isso mexeu comigo no momento, querendo então buscar mais afundo as origens da Família Puga.

Como uma grata surpresa, em uma das minhas primeiras pesquisas pelo Google encontrei este blog: "Puga: un apellido toponímico", disponível em pugaapellido.blogspot.com. Confesso que quando o blog carregou e me deparei com o título, com os textos inicias e com a imagem do topo, eu senti que algo grande estava começando a acontecer: enfim eu havia achado a fonte de "tudo" o que eu precisaria saber sobre a família Puga, com o provocante fato do sobrenome ser "toponímico". E por que provocante?

Muitos sobrenomes portugueses e espanhóis são toponímicos, são sobrenomes que descrevem a origem geográfica de um indivíduo que iniciou a linhagem ou família, como nomes de aldeias, vilas, cidades, regiões, rios, árvores, plantações, a localização da casa de uma família dentro de uma aldeia, dentre outros. E graças às pesquisas do blog acima, que são inclusive referência para órgãos locais, podemos apresentar La Torre de Puga, na localidade de Puga, Concello de Toén, Comarca de Ourense:




Localização do Concello de Toén e da Parroquia de Puga, em Ourense - Imagem: Concello de Toén
Localização da Torre de Puga, em Toén - Imagem: PugaApellido

Como falei, uma descoberta provocante, pois como me conheço, no momento em que percebi a existência de nossas origens eu já sabia: um dia, num futuro nem tão longínquo, estarei chegando a este lugar e vivenciando cada micromomento, cada passo dessas aldeias que guardam a história viva da Família Puga. Voltaremos a Portugal e à Espanha com essa missão, e já já falaremos sobre a expedição.

Mas antes, vamos ao que já sabemos sobre a região onde se encontra a origem dos Pugas:


LOCALIZAÇÃO DE PUGA
Localização da Torre de Puga e o Pazo de Olivar, em Puga - Imagem: PugaApellido

De acordo com o blog PugaApellido, "existen en España unos cuantos lugares con el topónimo Puga, varios en Galicia y uno en Asturias (...). Puga, en la parroquia de Puga (San Mamede), perteneciente al ayuntamiento de Toén y a la provincia de Orense, (origen del apellido Puga)".

Sobre Toén, seu documento oficial de gestão sustentável de 2016 caracteriza o concelho como

situado al sur del municipio de Ourense, con el que el río Miño establece el límite natural, antes de aportar sus aguas al Embalse de Castrelo. Es un municipio de reducida dimensión (58,3 km²), que pertenece a la Comarca urbana de Ourense, dividido en ocho parroquias (Alongos, Fea, Moreiras, Mugares, Puga, Toen, Trelle y Xestosa) y más de 40 entidades de población. 

O blog PugaApellido, que se encontra como referência sobre a localidade de Puga no site oficial do Concello de Toén, arquiva o senso estatístico da Enseada de Puga, documento de 1753 que destaca:

a la primera pregunta dijeron que la población donde se hace esta operación se llama el coto y feligresía de San Mamed de Puga y por tal es conocida y nombrada en la provincia. Que dentro de sus términos tiene los lugares de Puga, Pazo, Penelas, Dorna, Olivar, Celeirón, San Fiz, Castiñeiras, Iglesia y Paredes.

Reprodução de Google Street, focando a estrada que beira o Rio Miño desde Ourense a Puga


Infelizmente as estradas de acesso aos monumentos relacionados com os Pugas ainda não foram mapeadas pelo Google Street, mas graças à ferramenta do Google My Maps já mapeamos quase todas as igrejas, rios, caminhos, residências e monumentos da região em Toén. Na imagem abaixo destacamos as famosas "casa de baixo" (à esquerda) e "casa de cima", respectivamente Torre de Puga e Pazo de Olivar.




ORIGEM E FORMAÇÃO DE PUGA
Torre de Puga - Foto: Galicia Maxica
Segundo o blog PugaApellido, a primeira pessoa com sobrenome Puga que se tem notícia é Vasco de Puga, o "Cavaleiro Pugado". Vasco de Puga teria passado a posse da Torre de Puga, seu castelo em San Mamed de Puga, para seu filho Gonzalo de Puga em 1473. Gonzalo teria sido o primeiro senhor da região que compreende Puga e a torre homônima.

Abaixo, trechos reproduzidos desde o blog PugaApellido sobre a origem da família e os primeiros senhores de Puga e da Torre de Puga.



Trecho em destaque em PugaApellido: 
En el muro de la izquierda, bajo un arco rebajado plateresco hay una estatua yacente de Gonzalo de Puga apoyado en dos almohadones, vestido con armadura con la visera levantada, que permite ver su rostro, hay un ángel orando a su lado y los pies se apoyan en un perro. Hay dos escudos iguales a los de la Torre de Puga.



Sobre a Torre de Puga, é uma fortificação com muros de alvenaria, com edificação retangular de três plantas, com finalidade defensiva e situada a 180 metros de altura, com ampla visão do Vale do Rio Miño. Logo acima encontra-se o Pazo de Olivar, que também pertenceu aos Pugas e onde era produzido parte dos vinhos do Ribeiro. De acordo com o site Galícia Maxica, existem evidências de que o Pazo de Olivar sofreu importantes danos causados pelas tropas francesas durante a guerra da independência, no ano de 1809.

Atualmente, a Torre de Puga e o Pazo de Olivar se encontram abandonados, ao menos desde a década de 1960 quando uma senhora chamada Maria abandonou a Torre de Puga, tendo sido esta a última moradora da edificação, que hoje pertence a um arquiteto de Ourense que herdou os patrimônios  em 1998 devido ao seu direito pelo título de marquês.


ATUALIDADE EM PUGA, TOÉN
De acordo com o documento oficial de Toén, a Torre de Puga e o Pazo de Olivar seriam as últimas evidências da ocorrência de um "Pazo" do século XVIII em Toén: "Un poco mas al Sur, siguiendo el curso del río, podemos visitar la Torre de Puga que, situada en un alto de esta parroquia, es el único resto de un pazo del siglo XVIII". Próximo à Torre de Puga, encontramos uma espécie de vila chamada A Eirexa de Puga. O acervo disponível sobre toda a região, como fotos e vídeos, é enxuto, porém conseguimos visualizar um pouco sobre A Eirexa de Puga através deste vídeo:



O documento oficial de Toén traz também dados que apontam para uma tendência decrescente da população de Toén, que tem a economia local baseada na agricultura, especialmente de matéria prima para a produção de vinhos. Aliás, fato a ser destacado, a região faz parte do Circuito de Enoturismo da Galícia, "Ruta do Viño do Ribeiro", e já localizei algumas "bodegas" para visitação e degustação dos vinhos da Parroquia de Puga. Apesar do potencial das vitivinícolas e de alguns moradores de Toén trabalharem na cidade de Ourense, é notório o êxodo rural na localidade.

Evolução populacional do Concello de Toén

Gráfico de nascimentos e óbitos em Toén




NOSSA EXPEDIÇÃO PELA GALÍCIA
Eu já tive a oportunidade de residir no Porto, norte de Portugal, por 6 meses durante um intercâmbio acadêmico, e desde que me formei em gestão de turismo venho planejando um retorno para realizar meu mestrado em terras lusitanas, o que poderá acontecer nos próximos semestres.

Quando descobri que iria para Portugal em 2015, fiz um estudo de potenciais descobertas turísticas através dos seguintes mapas de relevo:



Eu praticamente surtei quando descobri a quantidade de aldeias históricas possíveis de se visitar pelo Norte de Portugal, principalmente desde o Porto e Braga. Infelizmente fiquei devendo uma visita ao único parque nacional português, o Parque Nacional Peneda Gerês, que se estende até a divisa com a Espanha, na altura do Rio Lima. O interessante é que a região de Puga, Toén e Ourense está localizada entre os rios Miño e Lima, a partir do parque nacional, o que proporciona uma primeira conexão entre o Porto e a trip que devo até Peneda Gerês.

Apesar de não ter conhecido o Gerês, através dos mapas tive a oportunidade de vivenciar as inesquecíveis aldeias do Geoparque de Arouca, onde ocorre o fenômeno das Pedras Parideiras (pedras que originam outras rochas). A visita às aldeias de Regoufe e Drave, em Arouca, se apresentou muito viável pelo acesso desde O Porto, percorrendo uma distância de apenas 80 km. O vídeo que me despertou o interesse em conhecer Regoufe e a aldeia de Drave, abandonada há mais de 10 anos, foi o seguinte, publicado pelo blog português "Sola Gasta":

PR14: ALDEIA MÁGICA


A experiência que tive no local foi ímpar, vivenciando as autênticas vilas portuguesas que, neste caso, sofrem em demasia com o êxodo rural. O roteiro da PR14 se inicia em Regoufe, de apenas 33 habitantes, e percorre até a aldeia abandonada de Drave, refazendo o percurso de carteiros que entregavam correspondências até esta última. A região é reconhecida por suas casas de xisto e por apresentar a substância volfrâmio, utilizada pelos ingleses como matéria prima para seu poder bélico durante a II Guerra Mundial (muito por isso se deram as construções de Drave).

A sensação que tive com as descobertas em Drave, fugindo dos roteiros de viagem tradicionais, voltou à tona como uma espécie de link assim que descobri as aldeias que guardam a história da Família Puga, na Galícia, pela semelhança entre as constituições populacionais e os desafios do êxodo rural. Já há algum tempo mapeei todas as aldeias históricas do norte português, pensando nas futuras expedições em meu retorno a Portugal, e traçando uma possível rota ciclística entre algumas aldeias até Peneda Gerês, onde faria um circuito pelas maravilhosas fontes termais que lá existem.

Agora, com a nossa inevitável ida até o Rio Miño para explorar a história da Família Puga, a expedição pede novos desafios. A intenção é realizar uma viagem de mountain bike desde o Porto até o Parque Nacional Picos de Europa (foto abaixo, nas Astúrias, norte da Espanha, um dos locais mais incríveis da Europa onde quis muito me aventurar durante meu período em Portugal, mas acabei "trocando" de viagem ao escolher ir ao Mont Blanc, na França. Talvez, devido às questões de logística e altimetria, seja mais viável e interessante iniciar a expedição em Picos de Europa desde a cidade de Bilbau e descer na direção sudoeste até o Porto.

Parque Nacional Picos de Europa - Foto: Divulgação site oficial Picos de Europa

Portanto, a ideia seria traçar o percurso da seguinte forma, podendo inverter os sentidos de início e fim e totalizando aproximadamente 800 km de expedição:

  1. Porto, rumando na direção nordeste até Braga e subindo ao Rio Lima pelo Parque Nacional Peneda Gerês;
  2. De Peneda Gerês seguiríamos até Ourense, conhecendo o Concello de Toén e a Parroquia de Puga;
  3. De Parroquia de Puga até Santiago de Compostela, onde iniciaríamos um trecho de aproximadamente 300 km do Caminho Francês de Santiago até a altura de Astorga e León;
  4. De León, prosseguiríamos até o Parque Nacional Picos de Europa, nas Astúrias.


Espero um dia, não tão distante, poder vivenciar essa incrível experiência de pedalar pelo Gerês, peregrinar pelo Caminho de Santiago, me aventurar como nunca nos incríveis Picos de Europa e claro, descobrir cada resquício da árvore genealógica da Família Puga. Sem dúvida alguma, vocês poderão acompanhar todos os nossos passos através de uma grande cobertura pelo Blog do Puga e pelo portal Share Adventure. Aceitamos todo tipo de dica e sugestão para nossa expedição, e se você precisar de alguma ajuda quanto aos lugares mencionados neste post, é só deixar o seu comentário aqui no blog!


REFERÊNCIAS:
pugaapellido.blogspot.com.br/
toen.es/archivos/mod_actividades/adj_1197_sostenibilidad_ambiental.pdf
galiciamaxica.eu
galiciaenteira.com


Seguimos com as pesquisas sobre os Pugas e a trip pela Galícia. 
Boas aventuras, e um grande abraço do Puga.

Comentários

  1. Respostas
    1. Un gran placer recibir su visita, Alberto. Usted vive en la región? Saludos de Brasil!

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  2. Parabens...cuando poida visitarmos...será benvido.

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    Respostas
    1. Antonio, gracias por su visita y hospitalidad. Espero poder apreciar los vinos y las personas de Ribeiro. Saludos de Brasil!

      Excluir

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