Tempestade marcou a Semana Santa nos Três Picos de Salinas

Os Três Picos de Salinas e a Pedra do Capacete
Semana Santa é uma das épocas mais aguardadas pelos brasileiros durante o ano. É uma grande oportunidade de confraternização, reflexão, de tirar férias, relaxar e comer muito chocolate. Para os aventureiros em geral, feriados estendidos como o da Páscoa são valorizados ao máximo, pois permitem grandes aventuras, viagens e expedições mais extensas.

E para os montanhistas friburguenses, Semana Santa tem sempre endereço certo: Três Picos de Salinas. Um dos parques estaduais mais bonitos do Brasil, abrange uma área de mais de 46 mil hectares, divididos em porções de cinco municípios: Cachoeiras de Macacu - que possui aproximadamente 50 % da área do parque -, Teresópolis, Guapimirim, Silva Jardim e Nova Friburgo. Neste último localiza-se a sede da organização e a parte mais visitada e estruturada de todo o Parque Estadual Três Picos.

Visual do parque para o Pico da Caledônia (ao fundo)
E foi para lá que eu fui nesta última sexta-feira, 6, junto com meu amigo e parceiro de montanhismo, Bernardo Pinaud. Mesmo com uma previsão do tempo nem tão animadora - para não ser pessimista e dizer que previa-se 80% de chance de chover -, arrumamos nossas mochilas, pegamos o carro e partimos em direção a São Lourenço.

A sexta-feira amanheceu ensolarada e prometia um grande dia a todos os aventureiros. Era dia das rochas serem tomadas pelos escaladores, das trilhas das pedras da Cabeça de Dragão e Caixa de Fósforo serem invadidas por aventureiros em busca dos mais belos visuais que a região pode oferecer. Vias de escalada como a CERJ e Rodolfo Chermont certamente seriam o point de escalada de pessoas de todo o Brasil, a até mesmo de alguns gringos.

Bernardo de braços abertos para a Caledônia
Bernardo chegando ao Vale dos Deuses
Logo chegamos ao Vale dos Deuses, área de camping que possui uma belíssima estrutura, com banheiros, água potável e encanada, forno a lenha e despensa. Havia cerca de sete barracas, bem menos do que no mesmo feriado de 2011. Pessoas muito simpáticas e extrovertidas, como por exemplo o pessoal do Rio de Janeiro, um mineiro e até um chileno.

Levantamos acampamento e, como já era por volta do meio dia, fizemos nosso rango. Ao mesmo tempo que planejávamos as atividades do dia, a gente se perguntava: - Será que vai chover? E não deu outra. Quando começamos a nos preparar para fazer um trekking pelas trilhas da Caixa de Fósforo, a chuva deu as suas caras. Foi só o tempo de nos recolhermos nas barracas para cair uma tempestade daquelas.

Área de camping do Vale dos Deuses
E foi assim o dia e a noite inteira daquela sexta-feira. A chuva não deu trégua para nada. Jantar? Tinha de ser preparado na barraca. Banheiro? Era melhor se segurar. Raios, trovões e chuvas em forte peso. Quem estava escalando, teve que rapelar o quanto antes e abandonar as vias com segurança. E aqueles que não estavam preparados para pegar tempestades, tiveram que utilizar a inteligência. O Mineirinho foi acampar com barraca de praia e não levou seu saco de dormir. Sua barraca foi tomada pela chuva e sua alternativa foi dormir na despensa do camping.



O dia amanheceu sem chuvas mas a notícia não tardou a ser dada lá nas alturas do parque dos Três Picos. Mesmo isolados, tomamos conhecimento do desastre que Teresópolis sofreu no dia anterior. A chuva deixou suas vítimas. Desta vez, foram cinco pessoas.

O tempo de sábado parecia ser um pouco mais animador, mas preferimos voltar para casa. Guardamos todos os equipamentos, tomamos café da manhã, colocamos as cargueiras nas costas e logo voltamos para Friburgo. O restante da galera decidiu ficar no Parque para se aventurar nas pedras e rochas dos gigantes Três Picos.

Alguns aventureiros que estavam no parque
Eu e Bernardo de partida dos Três Picos
Chegando em Friburgo, o que mais escutei de amigos e familiares foi frases como "Você é doido? Aqui na cidade alagou tudo e você foi acampar?". Bom, não foi irresponsabilidade. Fomos bem equipados e com todos os recursos necessários para um acampamento seguro. E digo mais: não me arrependo, pois aventureiro que é aventureiro não quer saber se vai chover. Aventureiro que é aventureiro está preparado para tudo, onde, quando e como quer que seja.

O pastão do parque

Uma grande aventura com meu amigo Bernardo Pinaud no meu lugar favorito da minha cidade. Três Picos de Salinas, o meu quintal de casa que tanto tenho saudade, por mais que eu visite-o frequentemente.

Com esta linda flor que Bernardo Pinaud fotografou entre a vasta flora preservada do parque, eu me despeço de vocês. Um grande abraço e até a próxima aventura!

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