Entrevista exclusiva com Robson Ferreira, tricampeão do Iron Biker Brasil e do Brasileiro XCM

Foto: Divulgação
O multicampeão Robson Ferreira, 31 anos, concedeu uma entrevista ao Blog do Puga. O ciclista, que é um dos mais vitoriosos do Mountain Bike brasileiro, conta um pouco sobre a sua carreira, fala sobre títulos, família, histórias, e o começo de sua trajetória como atleta profissional.

MATHEWS PUGA: Primeiramente, queria agradecê-lo pela atenção ao se disponibilizar a responder às perguntas. Robson, você é um dos maiores nomes do Mountain Bike brasileiro. Como surgiu o interesse pelo esporte?

ROBSON FERREIRA: Desde os três anos de idade que eu era louco por bicicletas. Elas sempre fizeram parte de minha vida. Eu ia jogar bola, ia de bike. Ia estudar, ia de bike. E, nos tempos vagos, andava de bike.

MATHEWS PUGA: Competiu pela primeira vez aos 14 anos em Vassouras e foi o vencedor. Conte um pouco sobre essa experiência.

ROBSON FERREIRA: Nessa época, em 1994, o MTB (Mountain Bike) era uma febre. Um ano antes ganhei uma Caloi ATN e treinava toda tarde após o colégio cerca de uma hora e meia. Todo dia era dia de corrida. Na época eu tinha um amigo que treinava comigo. No dia da competição eu estava com crise de bronquite, mas fui assim mesmo. E por sinal, fui pedalando a uma distância de 20 km, competi e, na volta, não deu pra voltar pedalando. Voltei de ônibus e um amigo que foi assistir voltou na minha bicicleta. Foi superdivertido, maior aventura. Daí por diante foram bastantes provas desse jeito.

MATHEWS PUGA: Nessa época, já havia pensado em se tornar profissional? Imaginava que poderia chegar aonde chegou?

ROBSON FERREIRA: Eu sonhava demais. Sonhava sim em virar um profissional e correr por uma equipe famosa, mas aonde cheguei já havia visualizado. É uma surpresa e tanto quando a gente consegue.

MATHEWS PUGA: O Mountain Bike no Brasil ainda está em uma crescente. Como é viver de bicicleta? É difícil a busca por patrocínios?

ROBSON FERREIRA: Viver de bike é maravilhoso pra mim. Tudo que tenho foi ela que me proporcionou, mas a busca por patrocínios é uma verdadeira batalha. Eu sou um atleta de sorte por contar com o patrocínio da Amazonas Bike, através do Cláudio e seus irmãos. Eles que me proporcionam a minha segurança no esporte.

MATHEWS PUGA: Chegou a passar por dificuldades financeiras em algum momento da carreira? Já pensou em desistir?

ROBSON FERREIRA: Já passei sim. Quando era solteiro me virava, mas agora tem mais gente que depende de mim. Esse início de ano foi bem conturbado em relação a muitos fatores, e esse foi um deles. Já pensei em desistir sim, mas a paixão pela bike e das pessoas ao meu redor pelo o que eu faço é o sentido da minha vida e não deixou que esse pensamento tomasse força.

MATHEWS PUGA: Neste ano de 2011 você se consagrou tricampeão do Iron Biker Brasil e também do Brasileiro de Mountain Bike Maratona. O que significam essas conquistas após um primeiro semestre tão complicado?

ROBSON FERREIRA: Nossa! Essas conquistas foram muito mais importantes do que as primeiras, porque elas me mostraram que sou capaz, e que lutando e acreditando a gente consegue.

MATHEWS PUGA: Todo atleta precisa de um apoio moral para crescer e se desenvolver no esporte. Sobre isso, de que maneira a família e os amigos têm influência em sua vida? Você também incentiva os seus dois filhos a andar de bicicleta?

ROBSON FERREIRA: O incentivo ajuda muito, mas você tem que gostar do fundo do coração. Meus pais me incentivaram e agora tenho mais uma que acredita em mim, minha esposa, fora meus amigos e patrocinadores. Eu incentivo meus filhos sim, mas não forço, deixo eles pedirem pra andar de bike. O mais velho gosta mais do Ronaldinho Gaúcho no futebol do que eu no MTB (risos). Mas ele vibra quando me vê sair pra treinar e quer se vestir igual. Isso me motiva muito. E o pequenininho aponta tudo que tem a ver com bike.

MATHEWS PUGA: Você participou do Cape Epic 2011 formando uma grande dupla com o Hugo Prado Neto. Coincidência ou não, os dois fizeram uma dobradinha no Iron Biker deste ano, resultando no teu tricampeonato. Como é o teu relacionamento com os outros atletas? Já chegou a competir com algum ídolo?

ROBSON FERREIRA: Conhecia o Hugo desde que ele estava saindo do Triathlon e iniciando algumas pedaladas no MTB. A evolução dele no esporte foi muito grande. Foi uma pena ter que abandonar o Cape por motivos maiores, mas admiro todos meus adversários, cada um pelo seu ponto forte e superação. Ídolo no esporte profissional eu não tenho, mas sou fã dos atletas profissionais, aqueles que trabalham, estudam e ainda arrumam tempo para treinar e competir. Alguns são muito bons à nível profissional.

MATHEWS PUGA: Robson, você mora em Mendes, uma pequena cidade do interior do estado do Rio. Qual é a relação das pessoas da localidade com a sua figura? É considerado um ídolo da região?

ROBSON FERREIRA: Muita gente me admira. Muitos acham que sou de outro planeta por me abdicar de tantas coisas e ainda passar horas e horas de baixo de sol, chuva, frio, etc. Mas a cada dia que passa o reconhecimento cresce mais, e o respeito vem aumentando também em meio à sociedade. Não me olham mais com aqueles olhares de um garoto andando de bike, e sim de um homem com uma trajetória de vitórias, não só em provas, mas por ter acreditado no seu ideal.

MATHEWS PUGA: Completando 32 anos em dezembro, não pode mais ser considerado um garoto. Já pensou em alguma idade para se aposentar? Tem projetos para o futuro?

ROBSON FERREIRA: Comecei a estudar e quando me formar pretendo pensar. Mas a cada dia que passa tomo conta de que ainda tenho muito a fazer no esporte. Daqui uns anos quero me dedicar à provas de ultramaratonas e ciclismo de estrada, como as de voltas.

MATHEWS PUGA: Com quase 20 anos de carreira, com certeza você deve ter muita história para contar. Cite uma competição especial; uma frustração e um momento de superação.

ROBSON FERREIRA: Se for parar pra contar vai tomar tempo, mas uma em especial foi o Iron Bike d'Italia. Uma prova muito dura e eu tinha apenas 18 anos. Fiz quinto na classificação geral e venci duas etapas. A frustração veio após ela. Achei que estaria muito bem fisicamente e entrei em um “overtraining”, não conseguindo nenhum resultado expressivo até o próximo ano.

MATHEWS PUGA: Para finalizar, deixe um recado para todos os seus fãs e também para quem pensa em se profissionalizar ou apenas ser um praticante de Mountain Bike.

ROBSON FERREIRA: Agradeço a todos que torcem por mim e admiram meu trabalho. Espero dar muitas alegrias ainda. Para quem está pensando em se profissionalizar, vá em frente. Se for isso mesmo que quiser, batalhe por isso, vai valer a pena todo sacrifício.

Robson Ferreira
Tricampeão Brasileiro '08, '09 e '11 Mountain Bike Marathon
Cel: (24) 9842-0728
Twitter: @robsonferreira_

Comentários

  1. Que honra vestir a mesma camisa que esse cara! Parabéns pela trajetória, Robson Ferreira!

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