Não foi uma travessia... foi a Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia e matéria dedicadas aos amigos Bernardo Pinaud e Felippe Senna


Eu no Morro do Queijo
Depois de longos anos realizando a Travessia Petrópolis x Teresópolis (desde 2008) sem sucesso com o tempo, a minha vez chegou. Neste feriado de Corpus Christi, 23 de junho, comecei a me aventurar com dezenas de pessoas pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos. O meu grupo era formado por 14 pessoas e apenas alguns já haviam tido a experiência de atravessar dos Castelos do Açu à Pedra do Sino. Saímos de Nova Friburgo (10 pessoas) às três da manhã para nos encontrarmos com os quatro restante na sede petropolitana do parque. Após enchermos nossos cantis e confirmar o pedido dos ingressos, começamos nosso trekking.

  • 1º Dia: Vale do Bomfim - Castelos do Açu
           Tempo médio: 6 horas

Cachoeira Véu da Noiva

O tempo nos deixava animados em relação ao que poderíamos esperar da expedição. O visual no Morro do Queijo, local da primeira parada, nos deu uma amostra de que o esforço valeria a pena. 

Vale do Bomfim visto do Morro do Queijo

Marcelo, Juliana, Wallace, Jeferson, Rodrigo, Victor, Tuanne, Thallis, Leônidas e PC


Continuamos a nossa caminhada e o próximo destino era o Ajax, local do primeiro ponto de água do dia. O tempo começava a fechar e todos nós nos perguntamos: será que vai chover? Será que vamos ver alguma coisa?


Galera no Ajax

Depois do Ajax, iniciamos a parte mais puxada do primeiro dia do percurso. A Isabeloca, que é o local mais erodido até o Açu, exige demais dos aventureiros, mas nada de desânimo. Eu, meu pai - Victor Puga - e Leônidas começamos a trilhar até os Castelos. O nosso grupo ficou um tempo a mais no Ajax descansando. 


Galera na Isabeloca

O tempo só piorava ao nos aproximar do Chapadão. Com muita neblina, mantínhamos nosso ritmo forte e constante. Estávamos no último trecho do dia e o único que é considerado mais fácil para se perder. Caminhar em rochas e com pouca sinalização é sempre complicado. Mas, como sempre digo em minhas matérias desta travessia, a dica é sempre caminhar pelo lado esquerdo do Chapadão. Assim, encontramos alguns marcos de pedras - chamados totens -, algumas setas riscadas e manchas de tintas vermelhas nas pedras.  Após alguns minutos, concluímos nosso objetivo do dia. Chegamos aos Castelos do Açu. 

Tempo fechado no Chapadão

Leônidas e meu pai no Chapadão 

Vitóca e Leônidas no Açu

Pelo incrível que pareça, o tempo melhorou. Nas alturas da Serra dos Órgãos, tudo pode ser surpreendente. O clima é instável e desta vez a instabilidade esteve à nosso favor. Fomos os primeiros a chegar na área de camping, com 5 horas de caminhada (uma hora a menos que a média). Montamos nossas barracas, almoçamos e aproveitamos um pouco para desfrutar o visual. Resolvi descansar na barraca enquanto o restante do nosso grupo não chegava e, quando acordei, me assustei com a quantidade de barracas no local. Nosso pessoal chegou uma hora depois de nós, dentro da média esperada, junto com muitos outros montanhistas. Não havia mais espaço para barracas nesta parte do camping. A alternativa para alguns foi levantar acampamento debaixo das pedras do Açu ou em outras áreas.

Barracas no camping do Açu

A noite caiu, o tempo esfriou e como a galera estava quase dois dias sem dormir, por causa do horário da viagem, dormimos cedo. Esta noite seria fundamental para descansarmos para o dia seguinte, que seria pesado. Mas, antes, subimos na Pedra do Açu para ver o pôr do sol e também no Cruzeiro.

Pedra do Sino visto do Açu

Açu ao anoitecer

A cruz do Cruzeiro

Uma noite meio fechada não nos deixou muito otimistas quanto ao nascer do sol, mas mesmo assim acordamos para ver como estaria. Tempo fechado? Que nada, maior visual! Um amanhecer espetacular que deixou geral em êxtase. Como com palavras não consigo descrever muito bem, vou deixar uma palhinha de como foi. Claro que a sensação não é a mesma de quem estava lá, mas...

Nascer do sol visto do Açu - Três Picos de Salinas ao centro e a Caledônia à direita


Galera curtindo o amanhecer

Todos ficaram boquiabertos com o amanhecer. Incrível! Estávamos certos de que teríamos um dia perfeito pela frente, com vistas espetaculares das cadeias de montanhas da Serra dos Órgãos e também de outros lugares.  Tomamos café da manhã, levantamos acampamento e começamos mais um dia de aventura.

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  • 2º dia: Castelos do Açu - Pedra do Sino
          Tempo médio: 7 horas

Dividimos nosso grupo em dois sub-grupos. O primeiro, que partiu alguns minutos mais cedo, era formado por Victor Puga, eu, Jeferson (mais conhecido como Zero Meia), Marcelo Anão, apelidado de Jamaica, Wallace e Juliana. O outro, que continha o guia Rodrigo Sprint, seguia na trilha com Jorge, João, Magno, PC, Thallis, Tuanne e Leônidas. A todo momento nos comunicávamos através dos rádios para saber das respectivas posições dos grupos e da situação de cada pessoa.  

Galera partindo para o Sino

Visual da Serra dos Órgãos e dos Três Picos

Começamos a subida para o Morro do Marco, local onde nos perdemos mês passado. Em uma subidinha forte, o cume é alcançado em 30 minutos, partindo do Açu. O visual lá de cima era melhor ainda. Com o tempo limpo, conseguimos ver onde erramos na última tentativa de realizar a travessia. Estava lá, solitário, o Portal de Hércules. 

Galera no cume do Morro do Marco

Vista do cume do Morro do Marco

Meu pai e eu - Castelos do Açu ao centro

As trilhas para o próximo destino, o Morro da Luva, começaram a congestionar. O nosso ritmo obrigatoriamente diminuiu e isso teve um ótimo resultado. O restante do nosso nos alcançou e assim prosseguimos unidos para o cume da Luva. Este trecho é considerado o mais pesado do segundo dia. Em seu vale, possui água potável e em seguida uma florestinha, onde adentramos. O calor era forte, bem forte. Mas logo logo chegamos ao topo. Uma ótima parada para descansar, comer algo e tirar algumas fotos.

À esquerda, a Pedra do Sino e o Garrafão

Dedo de Deus

Nosso grupo no Morro da Luva

A cada momento, a cada passo, nos sentíamos menor ao ver o gigantismo das pedras. Começamos a descida para a Cachoeirinha, até chegar ao Elevador. Visual? Excelente como sempre!

Pedra do Garrafão

Pedra do Sino e Garrafão

Sou apenas um coadjuvante nesta foto

Foto clássica da Travessia Petrópolis x Teresópolis

 Depois do Elevador - uma escada de grampos em um paredão -, encontramos com um grande grupo que fazia a travessia em outro sentido, Teresópolis x Petrópolis. Novamente, trilha congestionada. 

Andamos e andamos, até que no Vale das Antas chegamos. Outro local com ponto de água, é uma área alternativa para camping. É proibido acampar no local, mas, em casos extremos, é algo a ser considerado. Paramos lá para fazer um lanche, recarreguei meu camel back e cantil e partimos para a Pedra do Sino. A subida é forte e mais cansativa ainda com o sol batendo em nossas costas. Mas, ao nos aproximar do ponto culminante da travessia, a Pedra do Sino, tudo fica mais bonito. Ficamos de cara com um Big Wall, o Garrafão e o próprio Sino. Este Big Wall é o mais demorado do Brasil para se escalar, 5 dias é a sua duração.

Big Wall

Pedra do Sino

Vitóca e eu - Big Wall e garrafão ao fundo

Na parte final da travessia, resta descer um pequeno morro, fazer um lance de "desescalada" que, para alguns, é necessário corda e depois iniciar a subida para o Cavalinho, local mais técnico da aventura e que chega a colocar um pouco de medo nos mais inseguros. Por ser uma trilha estreita, esta trilha congestionou por mais de uma hora até a passagem de todos os montanhistas. Só pode passar um de cada vez no Cavalinho, que é um lance de escalada em que exige do aventureiro passar de uma pedra para outra, que está localizada mais acima. Depois disso, pode se considerar feita a travessia. E foi o que consideramos. Cada um que passava no local, pegava sua mochila e descia para o abrigo 4. Alguns chegaram ao anoitecer.

Preparado para o Cavalinho?

Passou a perna, acabou!

Cheguei ao abrigo 4 anoitecendo, levantei acampamento com meu pai, jantamos e ficamos repousando, curtindo o céu estrelado. A área de camping estava lotado e no termômetro marcava 2 ºC. Provavelmente, no cume do Sino marcou uma temperatura de 0 ºC ou até mesmo negativa. 

Pôr do sol

Combinamos de levantar às 4 da manhã para subir ao topo, ver as luzes das cidades de Guapimirim, Teresópolis e Rio de Janeiro e depois o belo nascer do sol atrás dos Três Picos de Salinas - Nova Friburgo.

Jamaica, PC, Thallis, Tuanne, Rodrigo, Zero Meia e eu no cume do Sino

A expectativa era grande para o amanhecer. Não tirávamos os olhos dos Três Picos, esperando a bola de fogo subir. Pouco a pouco, a escuridão ia sumindo e o dia clareando. Como já disse aqui no blog, o nascer do sol é um momento único e, visto do topo de uma montanha, é inesquecível com o tempo aberto. Algo que nos deixa sem palavras. No momento em que o sol começou a nascer, particularmente foi um estouro de alegria. Desde 2008 realizando esta travessia com o tempo ruim, fazendo o esforço de carregar uma mochila pesada e não conseguir ver as maravilhas da Serra dos Órgãos. Até que enfim, fui recompensado! Vamos às fotos...
















Ventava bastante no cume da Pedra do Sino, mas isso era o de menos. Estávamos acima do Dedo de Deus e Escalavrado, com vista panorâmica para os Três Picos e olhando para a cidade de Guapimirim. Pode ser melhor? Para completar, raios solares iluminavam as nuvens de uma forma bem interessante. Sensacional!












E, para finalizar a matéria, o último pulo da minha vida...


Brincadeiras a parte, descemos para o Abrigo 4, tomamos um bom café da manhã, levantamos acampamento e começamos nossa descida. A expedição estava acabando.

  • 3º dia: Pedra do Sino - Sede de Teresópolis
          Tempo médio: 4 horas

O último dia é o mais curto e é só descer. Para os friburguenses, descer a Pedra do Sino é descer um Caledônia. São 12 km de descida em pedras, passando por pontes, cachoeiras e cavernas. Chega a ser cansativo descer tanto, nossos pés que o digam. Mas é bem refrescante a descida, por ser dentro da mata atlântica, que é muito úmida. No final da trilha, chegando na sede, ainda temos uma piscina natural e uma estrutura muito boa aos turistas. Fizemos o último dia em cerca de três horas. Comprei uma bela camisa do PARNASO e aí era só esperar a van. Foi uma ótima travessia, inesquecível e que me motiva a continuar fazendo-a todos os anos. Continuem vendo as fotos! Até a próxima, amigos. Um abraço a todos que fizeram esta aventura.

Lembrando que a utilização de equipamentos para montanhismo são indispensáveis para uma travessia segura. Botas e roupas impermeáveis, barracas para camping, mochilas cargueiras, isolantes térmicos e fogareiros são essenciais para um maior conforto nas trilhas.

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Em uma lanchonete, ainda encontramos o consagrado ator da Rede Globo, Marcello Novaes, pelas redondesas de Teresópolis. Ele foi muito simpático e atendeu aos fãs, inclusive as garotas do nosso grupo, Juliana e Tuanne.


Chegada em Friburgo

Comentários

  1. Sem palavras. vcs tiveram bençãos divinas nesses 3 dias de aventura !!! E como sempre tu fazendo matérias iradas, parabens cara, blog do Puga bombando sempre e cada vez mais!!!
    E obrigado pela homenagem, de coração !!!
    abração !!!!

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  2. Nada irmão, eu que agradeço. E foi uma pena não ter você lá conosco. Valeu pela força, um grande seguinte do blog! Volte sempre!

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  3. Nossa, sou amigo do PC, Jorge, Maguinho e João que vi que estão nas fotos. Fizemos a Travessia Juntos em 2010e foi onde conhecemos a galera de Friburgo. Completei a travessia em 2009 e em 2010 voltei com essa galera. Nessa ultima foi sinistro, muita chuva,frio e 26 cabeças caminhando a noite do vale das Antas até o Açu

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  4. Haroldo, eu encontrei com vocês perto do Cavalinho em 2010. Eu estava fazendo no sentido Petrópolis x Teresópolis. Fiquei sabendo que vocês passaram perrengue! Quando quiser, podemos combinar alguma excursão. Esse pessoal é muito gente boa.

    Qualquer coisa me adicione no MSN ou pelo e-mail e a gente combina algo com o Jorge e cia. Abração

    mathewspuga@hotmail.com

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