Relatos da Travessia Petrópolis x Teresópolis 2011 - Castelos do Açu e Portal de Hércules

Sábado, 14 de maio de 2011. Eram exatamente quatro da manhã quando eu, meu pai - Victor Puga -, Bernardo Pinaud e Felippe Senna nos encontramos no colégio IENF com nosso motorista Cafu. O nosso objetivo? Realizar a travessia Petrópolis x Teresópolis, na Serra dos Órgãos. É considerada, por muitos, a mais bonita do Brasil e de nível pesado. Seria a minha 3ª vez atravessando o local, e a 4ª de meu pai. Já para Senna e Bernardo, tudo era novidade. 

Nosso grupo era pequeno. Amigos preferiram faze-la no feriado de corpus christi, por ser em junho. Outros três, até os últimos momentos estavam confirmados em nossa aventura (um, inclusive, já havia pago os ingressos do parque, incluindo duas pernoites no abrigo), mas desistiram por causa da previsão do tempo e por problemas de saúde. Mas nada melhor do que estar natureza adentro junto aos amigos e ao meu pai. Estávamos preparados e animadíssimos para enfrentar o que estivesse pelo caminho.

Chegamos na sede petropolitana por volta das 8 horas, e o tempo não era dos melhores. Céu fechado e clima nebuloso. Encontramos mais um grupo na portaria e fomos nos encontrando nas trilhas até o Morro do Açu, um pessoal muito simpático do Rio de Janeiro (um parecia ser do Japão, mas tudo bem). Sem enrolar muito, enchemos os cantis e começamos nosso trekking, carregando mochilas cargueiras pesadíssimas.

Senna, Vitóca e Bernardo

Bernardo e Senna - Destino? Morro do Açu

O nosso primeiro ponto de parada foi a Gruta do Presidente, onde pode-se pegar uma variante para a cachoeira Véu da Noiva. Tempo para se hidratar, comer e recuperar o fôlego, pois havia muito chão pela frente. 

Dois passarinhos que, cantando, davam mais harmonia ao local

Mais 40 minutos andando e chegamos no Morro do Queijo, ótimo lugar para uma pausa e avistar o Vale do Bonfim. Pena que o tempo estava fechado, então visual mesmo só de algumas árvores. Retornando a caminhada, andamos por mais uma vez 40 minutos e chegamos ao Ajax, ponto  de água potável. Neste lugar fizemos uma parada maior, para reabastecer as garrafas d'água e fazer um lanche que desse mais sustância.

Nosso grupo no Ajax

De volta ao trekking, o próximo desafio era a Isabeloca, a parte mais íngreme e erodida até o Açu. Este local tem este nome em homenagem a uma suposta passagem da princesa Isabel no local em lombos de mulas, algo que particularmente eu duvido, e muito. A vegetação foi ficando cada vez mais rasteira, as pedras no chão eram mais constantes e nosso desgaste era maior.

Senna e Bernardo na Isabeloca

O tempo foi piorando e começou a chuviscar. Chegamos ao Chapadão bem molhados, mas não havia motivo para desanimo. Estávamos cada vez mais perto dos Castelos do Açu e aí sim poderíamos repousar em nossas barracas. O Chapadão é o local mais aberto do primeiro dia de trekking e apresenta ao montanhista mais riscos de se perder. O caminho é de pedras e estas estão marcadas com tintas vermelhas, mas é necessário muita atenção para visualizá-las. Com o tempo nebuloso, qualquer vacilo e estaríamos sujeitos a nos perder. A dica que dou para quem estiver no local e quiser chegar ao Morro do Açu é procurar sempre andar à esquerda. Dizem que para a direita você chegará a um abismo e será difícil de retornar ao caminho certo.

Chapadão

A que se destacou

Senna, Bernardo e Vitóca - Tempo nebuloso

Enfim, chegamos às grandes pedras do Açu. O tempo abriu um pouco, o que nos animou bastante. Fomos até o novíssimo abrigo, recebemos as boas vindas do simpático Carlos, que toma conta do local de sete em sete dias, enchemos nossas garrafas com água e levantamos acampamento. Almoçar e colocar uma roupa seca era a prioridade.

Açu

Galera partindo para o acampamento

Beliches - quarto do abrigo do Açu

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Foi anoitecendo e o tempo abrindo. De alma nova, estavam todos animados com a noite que estava por vir e o dia seguinte, quando realizaríamos a travessia. A noite estava linda, não havia sequer uma nuvem no céu. As luzes da cidade do Rio de Janeiro acesas, a Baia de Guanabara e a grande Lua pareciam tão perto de nós que deixavam todos boquiabertos. Os "problemas" no local relacionados ao banheiro acabaram depois que foi construído um banheiro para quem está acampado. 


A noite caindo e o tempo abrindo

Anoitecer

Pessoal jantando

As luzes cariocas

Após uma longa noite de descanso, acordamos. O tempo estava bem melhor, mas não ficou assim por muito tempo. Até desarmar barraca, arrumar a mochila e tomar café da manhã, a neblina voltou e o Rio de Janeiro "sumiu". Infelizmente, porque o segundo dia é o mais bonito e difícil de ser feito.


Baia de Guanabara


Tudo pronto para atravessar até a Pedra do Sino. Pegamos algumas dicas com o Carlos e seguimos nosso percurso. O primeiro morro a subir era o Morro do Marco, e depois dele seria só dificuldade para achar o caminho certo.

Vitóca, Carlos e eu - Mapa da Travessia

À caminho do Morro do Marco - Visual do Vale do Bonfim

Ventava tanto, mas tanto, que havia algumas brechas e dava para ver alguns visuais, como na foto acima. Era preciso ter muito equilíbrio porque descendo em pedra molhada, mochila pesada e com ventos fortíssimos, qualquer movimento falso poderia resultar em algo desagradável. Chegamos no topo do Marco, paramos para descansar e continuamos nosso percurso. Seguíamos as marcações de pedras, sempre atentos aos mapas e no relógio. Avistamos uma cachoeira e estávamos convíctos que era o Vale da Luva, local com ponto de água potável. Descemos até o local, em uma inclinação forte, e lá nos surpreendemos. Caminho errado, reabastecemos os cantis e voltamos ao início. Outra dica que dou, é nunca perder a cabeça e se desesperar quando se perder. Não persista no caminho errado, volte ao local de onde começou a andar e tente achar o rumo correto.

Foi bem desgastante subir o paredão. Mochilas bem pesadas e uma inclinação grande, era uma escalaminhada exaustiva. Após longos minutos, achamos novas marcações de pedras indicando o caminho a ser seguido. Alívio para todos.

Marcação de pedras indicando o caminho

Não foi só uma vez que nos perdemos e tivemos de rachar a cabeça para encontrar as marcações, muito pelo contrário. Foi necessário ter muita paciência e persistência. O tempo variava entre aberto e fechado e, por alguns momentos, fomos presenteados com uma das mais belas vistas do país. Nós andávamos paralelamente a um grande paredão, com o Dedo de Deus, Dedo de Nossa Senhora, a Cabeça de Peixe e o Escalavrado pouco abaixo da gente. Engraçado porque não me recordara, nem meu pai, de estar tão perto destas pedras maravilhosas, muito menos do paredão. Andamos mais um pouco e aí sim me toquei. Fim da linha, a travessia não é por aqui. "Estamos no Portal de Hércules", eu disse. 

Engraçado porque este portal sempre foi um alvo de muito desejo da minha pessoa, via muitas fotos e lia relatos sobre o local, mas nunca pensei que iria estar lá por acaso. Já era tarde, por volta de 13:30, e começamos a discutir se daria tempo de voltar e caminhar até o Vale das Antas, onde poderíamos acampar. Claro que a discussão, saudável, foi feita admirando a beleza e grandeza da paisagem da Serra dos Órgãos e da cidade de Guapimirim. Por poucos momentos que o tempo ficou aberto, já tivemos a sensação de esforço válido, porque o visual que estava a nossa frente era tão lindo, tão especial, que não tenho palavras para descreve-lo. Ficamos ali, observando, refletindo e descansado, até o momento em que decidimos voltar para o Morro do Marco. Algo que marcou minha volta para o Morro do Marco foi poder avistar a Pedra do Garrafão e principalmente a Agulha do Diabo, que foi escolhida como uma das 15 escaladas mais espetaculares do mundo, e que não é possível ser avistada por quem faz a Travessia Petrópolis x Teresópolis, por estar localizada atrás do Garrafão.



Dedo de Deus, Dedo de Nossa Senhora e o Escalavrado - Portal de Hércules

Cabeça de Peixe - Portal de Hércules

Dedo de Nossa Senhora, Escalavrado e Cabeça de Peixe - Um visual deslumbrante

Garrafão e Agulha do Diabo - Momento inesquecível no Portal de Hércules

A volta foi rápida, cerca de meia hora. Descansamos no Morro do Marco e ficou definido que voltaríamos para os Castelos do Açu e desistiríamos da travessia. Vários motivos nos levaram a esta decisão: Já marcava em meu relógio 14:30, e até chegar ao Vale das Antas demoraríamos mais duas horas, isso se não nos perdesse-mos novamente; o risco de anoitecer antes de nós chegarmos ao local era grande; o tempo havia piorado, estava completamente fechado; o Carlos ficaria muito preocupado pois passou um rádio para o responsável pelo abrigo 4, na Pedra do Sino, avisando que chegaríamos lá por volta das 15 horas. É difícil abandonar uma missão, mas é preciso ser coerente. O montanhista tem de respeitar a natureza, porque desafiá-la seria a maior burrice. 

Voltamos para os Castelos, conversamos bastante com o Carlos dentro do abrigo, aquecidos. Ele nos passou um café e contou várias histórias de pessoas perdidas no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, inclusive guias locais. Nos relatou que quando alguém se perde, sai um guarda do Açu e outro da Pedra do Sino, sozinhos, fazendo a travessia com um apito, até se encontrarem. Desse modo tentam achar o perdido. Também nos disse que já aconteceu de um montanhista ficar perdido por três dias e ser achado na trilha da Agulha do Diabo, algo assustador. Queria aproveitar este parágrafo e agradecer ao Carlos por toda hospitalidade, simpatia e companhia que nos ofereceu. Realmente ele é uma figura, comédia pura e uma pessoa muito bem treinada que está a serviço do ICMBIO.

Eram mais ou menos 16:30 e ninguém estava afim de armar barraca. Por que não dormir no abrigo de pedras  que foi construído a sei lá quantos anos pelos guerreiros das montanhas? Quentinho, com espaço para nós quatro e fora do caminho da chuva... ahh não deu para resistir. Arrumamos nossas coisas, almoçamos (ou jantamos?) e ficamos até as 23 horas contando piadas e histórias. Destaque para as imitações de Felippe Senna, as piadas de Vitóca e Bernardo Pinaud e créditos à aranha gigantesca que apavorou nosso amigo Bernardo. Choveu bastante durante a noite, mas nada que nos tirasse do clima contraído. 

Ao amanhecer, novamente um clima fechado e nebuloso. Ventando muito e chovendo, arrumamos nossas coisas e partimos de volta para a sede de Petrópolis. Uma descida forte, que desgastou nossas joelhos, mas com o tempo cada vez melhor. Pedimos para a nossa van nos buscar em Petrópolis, ao contrário do que foi combinado (Teresópolis), e fomos curtindo os visuais que não conseguimos ver no primeiro dia. Foi uma aventura inesquecível, uma nova experiência, pois não é todo dia que nos perdemos, ainda mais em um local como na Serra dos Órgãos. As imagens que vimos estarão para sempre guardadas em nossas mentes, e as histórias serão repassadas para os filhos, netos e amigos. Mas nada poderá ser retratado para você, leitor, do mesmo modo em que aconteceu. Só estando lá para saber. Um abraço a todos os meus seguidores, e até a próxima aventura no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, perdidos ou não. 

Confira abaixo as fotos da descida do Morro do Açú e, em breve, um vídeo especial sobre o acontecido.

Amanhecer no abrigo de pedras do Açu






Vale do Bonfim

Senna, eu e Bernardo no Morro do Queijo


Voltando para Nova Friburgo - Final da excursão

  • Postagens da Travessia Petrópolis x Teresópolis

Comentários

  1. É puga num foi dessa vez...mas acho que é porque eu não tava junto hauahuaha
    Nào esquece o convite para a próxima em!? Abraço e Parabéns pela matéria!!
    Jhon Mascouto

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  2. Pois é Puga, foram momentos inesquecíveis! Devo agradecer muito a vc e ao seu Pai, que me motivaram bastante e por isso eu não deixei de ter um dos melhores momentos de minha vida!
    "Estamos juntos", como disse seu pai! Aguardo a próxima! Mas por enquanto vou deixar meu joelho de molho! hahahahaha
    BEIJO NO SU-COOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!
    >>Senna

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  3. BOA DESCRIÇAO DOS FATOS! DEVERIA TENTAR A CARREIRA DE JORNALISMO. QUANTO AO SE PERDER FAZ PARTE , TB JA ME PERDI EM ALGUMAS TRILHAS POR AE.FIZ A TRAVESSIA TRES SEMANAS ATRAS E GRAÇAS A DEUS FOI TUDO PERFEITO , TEMPO BOM,GRUPO GRANDE, QUANDO DIGO GRANDE ERAM 26 PESSOAS, MAS FOMOS CONSIDERADOS OS MAIS RAPIDOS E VELOZES DA OCASIAO, PASSAMOS POR VARIOS GRUPOS NO CAMINHO.QUANDO FOR TENTAR DE NOVO, TAMO JUNTO, MESMO QUE SEJA PRA SE PERDER, PQ SE PERDER NUN PARAISO DESTES ATE VALE A PENA. NAO DESISTA, PERSISTA "A SORTE ACOMPANHA OS AUDAZES". ALENCAR AMARAL

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  4. Gostei da frase !!!! Em primeira mão quero agradecer ao Puga e seu Vitóóóóóca, pela oportunidade e confiança dadas aos marinheiros de primeira viagem (eu e senna). Foi uma grande aventura, superei meus limites.A travessia não foi completada mas valeu cada segundo mesmo com o mau tempo, o fato de não termos completado e chegado até o Sino não me desanima, mt pelo contrário, deixa ainda mais um gostinho de "quero mais" e estou pronto para a próxima. Tamo junto !!!
    abração !!!

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  5. Valeu Alencar, o espírito tem de ser este mesmo. Realmente valeu a pena, porque olha as fotos de onde fui parar: estava sobre o Dedo de Deus, o Escalavrado (outra pedra que nos perdemos né Alencar?), vendo o Garrafão, Agulha do Diabo... então não tenho do que reclamar. Faz parte se perder, e sempre é bom ver o lado positivo da situação. Grande abraço e vamos agitar uma trip aí!

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  6. Quem tem que agradecer alguém aqui sou eu, Bê! Valeu por ter ido conosco, foi muito bom ter você perdido com a gente! Hahaha... Você e Senna mostraram para que foram e sem dúvida nenhuma animaram nossa aventura. Aquele abraço, saudades de ti. E vamos bolar mais uma viagem!

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  7. Uma aventura eletrizante, memorável e divinal. Belas fotos? grandes andarilhos.

    P.s: a imagem que descreve a pedra "Cabeça de peixe" trata-se da Coroa do Frade vista do Portal de Hércules.

    Abração.

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  8. Olá Rodrigo. Obrigado pelo comentário e por visitar o blog.

    Creio que a foto em que você citou acima seja realmente a Cabeça de Peixe sendo vista do Portal de Hércules. Não sei se ela possui outro nome.

    Grande abraço e volte sempre.

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  9. Amigo,
    Vi que você foi até os Portais de Hércules. Estou muito a fim de ir até lá na minha próxima travessia.
    No livro do Gilberto Cavalari ele fala que a trilha para os portais fica no Morro da Luva. Eu sempre achei que ficasse no Morro do marco.
    Agora vi que você já esteve lá.
    Poderia me passar algumas informações do tipo: em que ponto deixa-se a trilha tradicional para seguir até os portais? Quanto tempo de ida e volta, desde o morro do Marco? A trilha é bem demarcada?
    Penso se por acaso teria essa trilha plotada em GPS?

    Abraços.

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    Respostas
    1. Olá Ronaldo, tudo bem?

      Bom, os Portais realmente ficam em uma bifurcação, se é que podemos dizer assim, a partir do cume do Morro do Marco. Mas o que acontece? Como pôde ler no texto, quando eu estive por lá, foi totalmente acidental, então não tenho muita propriedade para falar sobre isso.

      No entanto, desde que você tenha MUITO cuidado para não confiar totalmente nas minhas palavras, eis o que eu tenho quase que certeza: quando você chegar ao cume do Morro do Marco, caso você siga reto, em frente, estará indo para os Portais de Hércules (começará a descer em rocha). E se você se direcionar para a esquerda, você vai começar a descer por um vale, com aquela vegetação típica do PARNASO, bem alta, à altura da sua cabeça.

      O bate e volta Morro do Marco x Portais de Hércules deve demorar cerca de 40 minutos de caminhada. As marcações pros Portais são bem mais evidentes do que as para seguir a travessia. Existem alguns totens, setas riscadas no chão etc.

      Com certeza você encontra o tracklog, mas infelizmente não o tenho pra te indicar. No entanto, isso eu tenho certeza:

      Morro do Marco - Travessia: caminhada imediatamente sobre vegetação
      Morro do Marco x Portais de Hércules: caminhada inicialmente em rocha, íngreme e com mais marcações. À esquerda um grande bigwall e uma cachoeirinha também (não use a cachoeira como referência de trilha, apenas de "estou no caminho certo".

      No mais, qualquer coisa é só me mandar um e-mail: mathewspuga@hotmail.com
      Estarei fazendo a travessia de 16 a 18 de maio. Quem sabe não nos esbarramos por lá?

      Grande abraço,
      Puga

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    2. Muito obrigado, amigo.
      Suas explicações foram muito esclarecedoras.

      Não sei se vou estar por lá nesta data, mas a vontade é grande.

      Abraços.

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