Travessia Petrópolis x Teresópolis 2008

Em junho de 2008 fiz minha primeira travessia Petrópolis x Teresópolis, na Serra dos Órgãos. Fui junto à empresa de turismo de Nova Friburgo Canoa da Serra. Formamos um grupo muito legal e nos juntamos também ao grupo do CEF (Centro Excursionista Friburguense). 

Fui com meu pai, Victor Puga, e meu irmão, Michael Puga. Saímos de Friburgo de madrugada e chegamos em Petrópolis por volta de 8 horas da manhã, registramos o grupo na sede do PARNA-SO e começamos a trilha para os Castelos do Açu, local onde as pessoas geralmente fazem a primeira pernoite para no dia seguinte atravessar. O tradicional modo de se fazer a travessia dura 3 dias.

Vista do Bairro do Bonfim - Petrópolis

O dia estava muito bonito e assim podíamos ver toda a paisagem ao longo das trilhas. O parque estima um trekking de cerca de 6 horas da sede do parque até o Açu, variando de 1100 metros de altitude a 2245 metros. A primeira parada, depois de mais ou menos 1 hora e meia, foi na Pedra do Queijo, ótimo local para se hidratar e comer algo, com uma linda vista dos picos da Alcobaça e do Alicate.





Após 40 minutos chegamos no Ajax, ponto com fonte de água, onde abastecemos nossas garrafas. Partindo do Ajax, começamos a trilhar para a Isabeloca, trecho que se encontra em um estado muito ruim devido a sua grande erosão e diversos caminhos  e atalhos diferentes. Este é o trecho mais íngreme de Petrópolis.





Chapadão e o Açu em detalhe


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Ao passar pela Isabeloca, chegamos ao Chapadão, local de onde já avistamos o Açu, como na foto acima.

Chapadão

É importante frisar que o caminho do Chapadão até o Açu tem setas e pontos vermelhos marcados no chão sinalizando o caminho que deve ser seguido. É preciso ter atenção neste local, pois não tem uma trilha fixa. Deve-se sempre seguir para a esquerda, pois se for para a direita, chegará em um abismo, e em dias de neblina, você pode não ver.

Açu

Chegamos ao nosso destino, uma formação rochosa com abrigos criados com pedras. O Açu parece um queijo suíço, com vários buracos que permitem as pessoas adentrarem no local. O acampamento é feito atrás dessas pedras e, em noites com um bom tempo é possível observar as luzes da cidade do Rio de Janeiro e, de manhã, a Baia de Guanabara.

Pôr do sol

Passamos por uma noite muito fria e a neblina veio junto ao amanhecer. Tomamos um café da manhã, levantamos acampamento e começamos a atravessar. 


O destino era a Pedra do Sino, ponto culminante da travessia. A duração estimada do segundo dia é de 7 horas e com certeza é a parte mais bonita e prazerosa de se fazer. Também é o dia que necessita de um guia experiente, o caminho não possui sinalizações e tem uma vegetação de baixo porte.

Após 30 minutos de caminhada chega-se ao Morro do Marco, onde pode-se pegar uma outra trilha para o Portal de Hércules. Mais 30 minutos de descida chega-se ao Vale da Luva, ponto com fonte de água.
Continuando o trekking, passamos por pontos onde a paisagem é exuberante, mas infelizmente as únicas paredes que víamos eram as brancas, ou seja, a neblina. 





Em um dos poucos momentos em que o tempo abriu foi quando estávamos cara a cara com o Garrafão. 

Garrafão - Victor e Michael


Chegamos ao ponto de maior dificuldade da travessia, o Cavalinho. É uma passagem bem estreita e íngreme onde você tem que passar de uma pedra para outra acima. Nada assustador, o PARNA-SO recomenda a utilização de cordas, mas se você tiver uma certa noção e não se apavorar com o abismo ao teu lado esquerdo, tirará de letra.

Cavalinho







Finalmente o objetivo estava completado, fizemos a travessia Petrópolis x Teresópolis e estávamos já na Pedra do Sino. Montamos nossas barracas num gramado onde o parque permite (não é permitido acampar no cume do Sino), ao lado do Abrigo 4, onde tem uma fonte de água e uma boa estrutura. Subimos o Sino à noite e vimos as luzes de várias cidades, Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Teresópolis, Guapimirim, alguns disseram que viram até Cabo Frio, mas aí já não posso confirmar.

Eu e meu irmão na Pedra do Sino

Se reparar bem na foto, esta pedra é um marco, não conheço muito bem sobre sua história, mas provavelmente foi quando os primeiros montanhistas chegaram ao cume da Pedra do Sino, e possui uma data, ano de 1924.

Infelizmente eu não acordei para ver o nascer do sol no topo do Sino, mas depois subi para dar uma conferida e o dia estava lindo. Confira as fotos do cume da Pedra do sino abaixo, destaque para os Três Picos de Salinas, o Capacete e o Pico do Caledônia em uma única foto, vistos de Teresópolis.

Capacete, Três Picos e Caledônia - Friburgo

Cabeça de Peixe


Açu visto do Sino


 Baia de Guanabara ao fundo

Verruga do Frade


Escalavrado, Dedo de Nossa Senhora e Cabeça de Peixe

A travessia acabou, mas o trekking não. Ainda era preciso descer o Sino até a sede do PARNA-SO de Teresópolis, o que dá cerca de 11 km. Na descida, lindos visuais da cidade, uma fauna preservada e cachoeiras.



Riacho na sede do parque

Agora sim a nossa aventura teve um fim. Uma experiência fantástica que levarei pra vida toda e recomendo a todos os montanhistas e amantes da natureza. Qualquer informação que precisar é só me mandar um e-mail ou deixar um comentário que, se possível, tentarei ajudar. Abraço a todos.

Confira agora um vídeo com os registros da nossa expedição na Serra dos Órgãos:

                                    

Comentários

  1. OLá Puga, quero fazer a travessia agora em agosto, e te pergunto quanto vou pagar de ingresso + taxas para 3 dias?
    att,
    Jessica

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  2. Olá, Jessica. Isso vai depender dos dias em que você deseja realizar a travessia, porque nos fins de semana fica um pouco mais caro (se eu não me engano). Mas provavelmente sairá em R$ 37,40 para você. Moradores das regiões de entorno do parque tem desconto (Guapimirim, Petrópolis e Teresópolis). Você pode realizar a compra online por este site: http://www.parnaso.tur.br/

    Espero ter ajudado e boa travessia.

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  3. Valeu querido! ajudou muito!!!
    Beijos

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