Agulhas Negras 2009

Em julho de 2009, formamos um grupo para uma excursão ao Parque Nacional de Itatiaia com o objetivo de subir as Agulhas Negras - pico principal do parque - e as Prateleiras.

Agulhas Negras

Chegando na Garganta do Registro, a primeira dificuldade: uma estrada de chão em péssimas condições, o que não foi nada difícil para a Land Rover do Zé Carlos que estava junto com uma parte de nosso grupo. O Gol do meu pai também não se saiu mal, mas um de nossos amigos estava num C4, carro muito baixo, e levaram mais de uma hora até a Pousada do Alsene, estrutura onde ficamos acampado. O maior problema é que tínhamos o objetivo de subir as Prateleiras no mesmo dia, mas com esse imprevisto da estrada de chão, não deu tempo de entrarmos no parque para subir o pico, já que tinha que entrar antes das 9 horas da manhã. Resolvemos então levantar acampamento, descansar e curtir a região, já que no outro dia iríamos ter as gigantes agulhas pela frente.

Ricardo, meu pai Victor, Marcelinho e eu no Morro da Pipoca

Subimos um morro que se não me engano chama-se Morro da Pipoca, que fica localizado ao lado da pousada do Alsene. Uma caminhada rápida e que nos proporcionou um visual espetacular das Agulhas Negras e para outras regiões. Meu primo, Marcelinho, ficou doido com as formações rochosas e foi nessa região que passou a ser apaixonado por escaladas. 


Anoiteceu e outra dificuldade foi no banho. O chuveiro elétrico da pousada não conseguia esquentar a geladíssima água do inverno. Foi dureza. Após o banho, jantamos todos juntos e fomos dormir porque cedo estaríamos acordando e partindo para as Agulhas Negras. Acordamos com expectativa de geada, mas só teve frio mesmo. Comemos e nos reunimos, dessa vez, todos no Land Rover para mais 7 km até o parque. 

Vitóca

Ao chegar no parque, uma grande fila para assinar o termo de compromisso e etc.

PARNA-Itatiaia

Começamos a nossa caminhada e, do nosso grupo, apenas meu pai conhecia a região. Passamos pelo Abrigo Rebouças que fica localizado na base da pedra e a cada metro que se passava ficava muito mais íngrime. E quando menos esperávamos, um presente, avistamos as Prateleiras, uma formação rochosa que parece um queijo suíço, cheia de buracos e deformações.



Prateleiras ao fundo


Prateleiras

Continuamos nossa pesada escalaminhada e passo à passo encontrávamos mais dificuldades.

Agulhas Negras

Começamos a enfrentar obstáculos como pedras em cima de outras, espaço de passagem curto, e muitos de nosso grupo desistiram, preferiram descer. Estava ficando muito mais difícil, mas não intimidou os que continuaram. 


Rafael

Após um trecho alto e difícil que tivemos de passar, chegamos ao cume, e tivemos a recompensa de todo o esforço e de não ter desistido, o que nunca passou por nossas cabeças.

Cume das Agulhas




Cume das Agulhas

Curtimos o visual, o cume estava cheio de pessoas, e como o tempo estava virando, começamos nossa descida, enfrentaríamos toda a escalaminhada novamente, mas dessa vez, utilizando corda em alguns trechos, aproveitando o embalo de outros grupos.





Chegamos na base e esperamos o resto do pessoal chegar, mas estávamos preocupados pois o horário limite para sair do parque era às 17 horas e já estávamos atrasados. Um temporal caía e escorria pelas rochas, chuvia muito, até que todos nós estavamos reunídos e prontos para voltarmos para o camping. Ainda tivemos que prestar contas ao parque e avisar que outro grupo se atrasaria porque um homem havia se contundido, se não me engano, fraturado a perna. Com o temporal, não iríamos subir mais as Prateleiras no dia seguinte, então eu, meu pai e Marcelinho resolvemos levantar acampamento debaixo de chuva e partir para casa. Valeu a pena, um lugar lindo, e pretendo voltar lá para subir novamente as Agulhas, as Prateleiras, fazer a travessia da Serra Fina e explorar outros picos da região. Deu saudade!


Eu e meu primo Marcelinho

Para quem não conhece a região das Agulhas Negras, deve se lembrar de ir preparado para se aventurar na região. O parque é muito grande e possui diversos locais para a prática de atividades outdoor. Aos escaladores, não se esqueçam de seus equipamentos de escalada. Levem seus baudriers (cadeirinha), sapatilhas, capacetes, freios e cordas de escalada e desafiem as rochas e boulders deste paraíso. Lembrando que é indispensável ir bem equipado para esta expedição. Por ser uma área muito grande e propícia à rápidas mudanças climáticas, um GPS faz total diferença, assim como roupas e botas impermeáveis, cordas, mochilas cargueiras e de ataque e barracas. Não se esqueça da câmera fotográfica para poder registrar os seus momentos radicais. Enfim, levem seus equipamentos de montanhismo e estejam preparados para os desafios que as Agulhas Negras podem proporcionar.

Um grande abraço, Mathews Puga.

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